IMG_2082A mídia hegemônica mudou seu alvo. De tempos em tempos ela muda sua narrativa, porém não se enganem, tudo dentro da lógica maior, servir ao desígnio do imperialismo Anglo-americano.

Durante 03 (três) ou 04 (quatro) anos a metralhadora midiática centrou sua força na famigerada lava jato. Políticos do PT, empreiteiros de gigantes mundiais do setor e lobistas, eram massacrante e massivamente “julgados” e “condenados” pelos jornalões e seus articulistas bem pagos.

Juízes tornaram-se “semi-deises”, os queridinhos da nação. Casais de Juízes famosos tinham contas pagas em restaurantes por “admiradores” formados por essa estratégia de endeusamento.

Outro alvo favorito da mídia nesse ínterim, eram os direitos dos trabalhadores, e não se enganem mais uma vez, sejam os trabalhadores públicos ou privados, tudo ao gosto e agrado dos interesses imperialistas do patrão e do grande capital.

Porém, até então, por servidores públicos se entendia apenas os servidores do executivo, já que os do judiciário tinham os ministros e juízes como “semi-deises” e, por tabela, seus servidores quase que súditos da corte, eram postos “debaixo da asa” e pouco sofriam ataques como os do executivo.

Lembrando, por fim, que na agenda dessa mídia “sniper”, o Legislativo e suas “mamatas” históricas foge à mira inexplicavelmente.

Seus servidores, por sua vez, são esquecidos nesse “debate-ataque”, como se morassem confortavelmente em uma ilha. Talvez a ilha da fantasia!

Mas agora que o “inimigo número 01” foi praticamente abatido em cadeia nacional, faltando apenas o tiro de misericórdia, justamente com a ajuda de uma turma de “justiceiros federais”, eis que o alvo muda estrategicamente, frente agora a uma agenda de interesses, digamos, menos ideológicos e mais econômicos, comerciais!

Como se cospe um chiclete mascado, a mesma mídia que até ontem endeusava, fazia brilhar os rostos com as luzes das câmeras e flash’s e, embevecia a vaidade de alguns desses, agora volta seus canhões contra os outrora intocáveis, agora rebaixados a reles privilegiados por auxílios ditos imorais, jogados na vala comum do conjunto de servidores, que há tempos sofriam na pele esse alvejamento de senso comum, estímulo ao ódio contra a classe dos servidores, além do que chamo de “moralismo institucional”.

Tal fato deve servir de alerta. A mesma mídia que ora condena os auxílios moradia e afins, condenou sempre os aumentos para servidores, condenou os gastos públicos com o social, condenou à imagem de marajá o conjunto de servidores, como se fossem o “mal maior” do estado, quando somos a última barreira de preservação deste, condenou o país a uma cisão enquanto nação, quase irreversível! E o judiciário assistiu a esse massacre silencioso, conivente, imaginando que do alto de seus “altares”, jamais seriam atingidos.

Ledo engano!

Essa mesma artilharia de elite televisiva, nunca condenou com a mesma ferocidade a dívida pública de 04 (quatro) trilhões , onde os Bancos anglo-americanos são nossos maiores credores. Nunca condenou a alta sonegação, aliada a evasão de divisas, vide “panamá papper’s”, que desemboca, mais uma vez, nos grandes bancos mundiais e em seus estratégicos paraísos fiscais. Nunca condenou a lavagem de bilhões do narcotráfico junto a inúmeros setores econômicos e por fim, nessas mesmas instituições financeiras.

Nunca condenou os altíssimos Incentivos e Renúncias Fiscais de alguns poucos setores privilegiados e, que financiam essa mesma mídia que ora ataca aos magistrados brasileiros, com a clara intenção, não de corrigir distorções, mas de atiçar o cheiro de carniça de uma parcela raivosa da população, que ela mesmo criara, para forçar mais uma vez sua agenda de interesses anti-nacionais e entreguistas!

O que querem é apenas a Reforma da Previdência e com ela a criação da previdência complementar, onde todos, inclusive futuros magistrados, serão submetidos ao teto do INSS, e quem quiser ganhar mais ao aposentar, pagará bem mais, jogando bilhões em fundos de previdência a serem geridos pelo sistema financeiro, sem levar em conta as particularidades e complexidades das mais variadas funções públicas, nem mesmo o quanto se paga a mais para sua previdência própria um servidor, se comparado a um trabalhador privado, já que desconta 11% sobre tudo que ganha, a não sobre um teto qualquer.

Querem também, acredito, menos interferência do judiciário nas suas ações entreguistas, como venda de ativos como a Eletrobrás, entre outros, e a nomeação de qualquer ficha suja a qualquer posto estatal. A exemplo da indicada a ministra do trabalho, investigada por associação ao tráfico. Soa como aviso, quase uma ameaça explícita a autonomia do judiciário!

Os magistrados agora, como sempre foram os servidores do executivo, são apenas o “bode na sala ”, a distração necessária para as massas, pois o interesse de fundo atende, mais uma vez, a agenda imperialista de desmonte da soberania do Estado Brasileiro.

É hora do judiciário e seus magistrados se aliarem a luta do conjunto de servidores e, pensarmos juntos uma agenda de interesse nacional. Somente assim voltaremos a ter um estado forte, do tamanho e autonomia necessários e, com menos interferência do capital especulativo e de políticos anti-nacionalistas.

Lembrando por fim, que quem votar a reforma da previdência, não volta!

Antônio Wagner Oliveira, é Advogado, Servidor Público, está como Vice-Presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros em Mato Grosso/CSB-MT, Diretor Jurídico do SINPAIG/MT, membro fundador do Núcleo de MT pela Auditoria Cidadã da Dívida Pública.